quarta-feira, 2 de julho de 2014

assim, por acaso, leu coisas que havia dito a bons anos atrás. que nada, mais de meia década atras! poxa, estou velha, pensou. 
releu. sorriu. 
deixou até escorrer uma lágrima. mas, acima de tudo, estava incrédula: ''sou a mesma pessoa de seis anos atrás''.
seis anos! e nao simples seis anos - intensos seis anos, seis anos que entraram e sairam tanta gente da sua vida, saiu do colégio, está saindo da universidade, morou no exterior, planejou casamento, se viu sozinha, enlouqueceu, recompôs. não foram qualquer seis anos, foram intensos seis anos.
e ai entra a pergunta: intensos seis anos, mas eu continuo a mesma!
(claro, sejamos racionais, o amadurecimento intelectual é outros quinhentos) - cá falamos de racionalidade emocional.
pensa hoje, aos vinte e tantos anos, com a mesma fé e dedicação ao ato de amar que pensava antes de completar a chamada maior idade. 
ai entra a pergunta: ao fazer essa constatação, ainda que descrente que isso seja tão real, deve ficar feliz ou triste?
é reconfortante saber que se é constante?
ou é apavorante saber que continua fazendo os mesmos erros?

erros?

é errado se dedicar por toda, inteirinha, ao amor? 
acho que não. 

lê coisas que escreveu, cheia de dor e rancor - reconhece-as como sentimentos atuais. acima de tudo, fica incrédula em pensar que um dia já se sentiu como está se sentindo agora! nem lembra daquela dor, parece tão menor comparada a essa.

incrivel como dois passos de distancia fazem tudo parecer menor. o oposto sendo real - falta lógica para percebemos que estamos sempre exagerando no momento que as coisas fervem.

se uma coisa que nestes anos deu pra aprender é que amar é o ato mais humano e mais digno que há. quando amamos, sofremos, penamos. mas, quando amamos, de verdade, quem mais sai ganhando é sempre a gente. porque a vida nao é feita de nada eterno. Clichê que ninguém tem coragem de aceitar: a vida não é eterna, nada é eterno, nem o que a gente mais luta para ser.

a vida é ondular (alguns insistem que é pendular) 

as coisas vem e vão. são fantasticas e são ruins. são essenciais e são descartáveis. 
o certo seria saber lidar com isso sempre, sem mais, nem menos. só aceitar. 

como se aprende a lidar?

(essa é a grande pergunta... ruflem os tambores!)

- não se aprende. assim como o próprio movimento ondular, para chegar à crista, é necessario ir abaixo. 

é, meu velho, tem gente que não acredita, mas tá ai uma das grandes artes da vida.

terça-feira, 12 de abril de 2011

um ciclo

Te desejei com todas as minhas ganas. Assim, sem vergonha, sem nenhum puder. Te quis sobre mim apertado, pele na pele, tua respiração quente perto da minha carne que tremia. De ti quis paixão à flor da pele, a qualquer momento, sem nenhum precedente, sem nenhum aviso prévio.
Te amei com todo o meu afinco. Assim, sem limites, sem nenhuma individualidade. Te quis do meu lado à cada segundo, ininterrupto, mãos dadas apertadas, longas conversas e muito chamego. De ti quis sentimento puro, cinematográfico, emoção segura de amor correspondido, sem nenhuma barreira.
Te confidenciei o meu mais escuro segredo, com minhas mais escondidas lágrimas. Assim, com muita dor e dedicação, mostrando a minha mais nua imagem. Te quis ombro fiel e ouvido amigo, dividindo comigo tanto os momentos mais felizes quanto os mais temerosos, sempre com um constante sorriso no rosto. De ti quis mais do que podias, ou deverias, me dar, exigi uma abdicação da paixão em troca da fiel amizade, que de cansada estava disposta a te dar.
Te ofendi com as palavras mais vis que me arranhavam por dentro, provindas de toda a minha raiva e desilusão. Assim, sem motivo aparente, tempestades e trovoadas em plena luz do dia. Te quis pedindo perdão por todos os pequenos detalhes, concordando com todas as minhas cruéis arrogâncias e mini-certezas. De ti quis humilhação, constante, desculpas infundadas e compartilhamento de sentimentos inexplicáveis.
Te implorei por uma nova dignidade, desejando retornar a um passado nostálgico, que de lembranças recentes doía. Assim, pedindo por algo novo, incompreensível, quis reacender algo que eu temia ter perdido para sempre. Te quis jogado meus medos contra a parede, com vontade, atos animalescos para sacudir a minha inércia. De ti esperava algo a mais para reviver o que já não existia, buscando, às cegas, encontrar algo já morto.
Te afastei dos meus braços, sem muito compreender por que. Assim, friamente e decidida que era o melhor para nós, morri um pouco na escuridão. Te quis, escondido, sofrendo em silencio o mesmo pranto que eu sentia calada. De ti quis distancia para poder respirar e cogitar num recomeço, mesmo que a dor sangrasse demais.
Te recordo com um sorriso dolorido no rosto, meio sentimental, meio maduro. Assim, relembrando o que foi bom e forçando para recordar o que me machucava tanto. Te quis passando por mim e me convidando para um café, contando as novidades após tantos anos de afastamento. De ti quis uma amizade impossível, que esquecesse todas as feridas, que mesmo já estando cicatrizadas, haviam deixado grandes marcas em nossos corpos.
Nos lembro com uma certa simpatia, percebendo a ingenuidade dos nossos olhos cegamente apaixonados. Assim, percebendo o quando aprendi conosco, tanto quando estivemos juntos na felicidade do amor, quanto quando estive sozinha aprendendo a me curar. Nos quis, então, como uma experiência boa, onde percebi os meus erros e reconheci várias das minhas incertezas. De nós, hoje, só sinto algo indiferente, algo que já passou, algo que me preparou para o tudo (e todos) que está por vir.
Obrigada.

domingo, 10 de abril de 2011

sobre o vazio.


quando entendê-lo?
quando ele oprime?
quando ele alivia?
quando ele estufa?
quando ele provoca fome?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

sol

Maria acordou leve. Não entendia bem o porque, mas foi tão mais fácil levantar-se da cama. Conseguiu com uma surpreendente facilidade abrir a janela e sentir o calor do sol alcançar seu peito. Ficou alguns minutos ali, parda, de pijama na frente da janela, observando a claridade com os olhos fechados. Quando se viu sorrindo, com tanta facilidade, com tanta habilidade, entendeu. É melhor não entender. Deixa a vida ser vida; deixa o corriqueiro acontecer corriqueiramente. Maria respondeu "bom dia" àquele céu azul que lhe prometia um ar mais fresco. E estava mais fresco; parecia não pesar mais, parecia mais limpo, tão mais tragável. Entendeu que era melhor não compreender, só sentir. Abriu, assim, a porta de casa, usando sua roupa mais colorida; usando sorisso mais simples.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sanar - Jorge Drexler

percebam a pureza e a simplicidade dessa musica


Las lágrimas van al cielo y vuelven a tus ojos desde el mar
el tiempo se va, se va y no vuelve y tu corazón va a sanar
va a sanar va a sanar

La tierra parece estar quieta y el sol parece girar,
y aunque parezca mentira
tu corazón va a sanar va a sanar
va a sanar
y va a volver a quebrarse mientras le toque pulsar

y nadie sabe por qué un día el amor nace
ni sabe nadie por qué muere el amor un día
es que nadie nace sabiendo, nace sabiendo
que morir, también es ley de vida.

Así como cuando enfríe
van a volver a pasar los pájaros, en bandadas,
tu corazón va a sanar
va a sanar va a sanar

Y volverás a esperanzarte y luego a desesperar
y cuando menos lo esperes
tu corazón va a sanar va a sanar
va a sanar
y va a volver a quebrarse mientras le toque pulsar

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

aqui tens meu regresso

Prometi que voltaria a escrever por aqui. Depois de um bom tempo abandonado, foi legal reler alguns textos e ver a mudança de certos sentimentos - e como alguns continuam iguais. Pois então, por onde começar a escrever? Minha linha de raciocínio era basicamente através de sonhos, (des)ilusões, frustrações, etc. Depois de tantos sonhos inconcretos e tantas desilusões, tendo tentado, realmente, mudar meu método de ver a vida. Não que eu tenha sofrido demais (longe de mim querer parecer uma martirizada) ou que eu não sabia que ainda tem muita merda para vir. Somente que eu resolvi encarar as coisas de um jeito diferente. Ainda vejo muita merda sendo posta embaixo do tapete e ainda me asssusto quando vejo uma que outra sendo jogada no ventilador e espirrando até naqueles que nem sabiam da existência, do princípio.
Então, sim, eu vou tentar voltar para essa página aqui.
É triste ver que, por causa desse maldito individualismo, criamos redes artificiais para suprimir certos necessários toques físicos humanos. Que é um blog além disso? Blog, facebook, twitter, lastfm, orkut, msn, tumbrl - tenho todos. Infelizmente, assim como várias (das poucas) pessoas que lêem isso, eu cai na maior das armadilhas da internet - confundir o que é verdadeiro, o que é carne, brutalidade e físico pelo que é virtual, fantasmagórico, moderado e cheio de burocracia. Criam-se códigos de boas maneiras para internet e se esquece o verdadeiro valor de um abraço. Desafio vocês e sair da frente dessa merda dessa tela e ir abraçar alguém que esteja ali na sala. Virei vitima: hoje quando eu questiono um amigo não é somente baseado nos seus gestos ou falas, mas também pondero o que ele quis dizer através daquele tuiter, o que realmente significou aquele status do facebook. Maldita vida.
Pois é, eu vou voltar a dar valor para o que realmente deve se dar valor. Para o grau de integridade da pessoa. Ver se ela realmente me olha no olho quando fala seus sentimentos. Vou segurar a mão dela esperando que algo sincero surja no silencio. Quem sabe é para isso que eu vou voltar ao meu blog: quem sabe, eu convenço mais alguém que a internet é um método auxiliar de manter uma amizade, e não um formador de alianças verdadeiras.
É, eu quero voltar para cá.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

E essa sensação de acomodamento? E essa culpa sufocante?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

você, de novo.

Faz três dias que sonho contigo. Um sonho tão bom, fazia tanto tempo que não me visitavas. Minha vida, no sonho, não parecia tão confusa, tão cheia de besteiras. Meu sorriso era tão verdadeiro quando gritaram: olha lá quem tá chegando para te buscar, amiga! Eu quero tanto ser resgatada dessa realidade insípida. No meu sonho tu vinhas... tu me abraçava, me fazia pular a janela e correr por campos distantes. Que boba eu por programar despertador...
Ando tão cansada do nada, tão duvidosa de tudo. Um visão negativa perante o mundo, mesmo sem ter nenhuma razão para tal desanimo. Uma vida tão bonita, tão jovem, tão extasiaste! Concordo, sim, concordo... E dai? Falta alguma coisa. Falta... ah, falta! O quê? Não sei. Quem sabe você, quem sabe teu abraço, quem sabe tua certeza. Quem me dera alguém que me desse certeza de qualquer coisa... Como eu queria algo que me prometesse verdade certa. Com cumprimento de promessas, ai!, ai seria eu feliz, totalmente?
Eu sentia que sentia no sonho. Sentia dor, sentia saudade, sentia felicidade, sentia amor, sentia compaixão. Por que quando acordo não sinto nada além de irritação? Irritação por não compreender esse vazio, não compreender essa solidão, não compreender o porque eu não sinto mais o que eu gostava tanto de sentir.
Antes eu conseguia escrever, extrapolar. Hoje já tenho uma dificuldade absurda de criar histórias e, quando consigo, me entedio antes mesmo de chegar ao clímax do enredo.
Quero voltar a sentir. Se não posso te ter aqui, comigo, bonito, quero parar de sonhar contigo. Sai para lá, saia dos meus sonhos e vê se me deixa livre para tentar mais uma vez.

terça-feira, 1 de junho de 2010

the floyd with all colors


"us, and them and after all we're only ordinary men. me, and you.
god only knows it's not what we would choose to do.
forward he cried from the rear and the front rank died.
and the general sat and the lines on the map moved from side to side.
black and blue
and who knows which is which and who is who.
up and down.
and in the end it's only round and round... and round
haven't you heard it's a battle of words the poster bearer cried.
listen son, said the man with the gun, there's room for you inside."

sexta-feira, 30 de abril de 2010

drummond, seu lindo.

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!